28.6.08

"Oba, filhotinhos!"


É usando essa frase emblemática do filme “Beethoven 2” que eu comunico que sim, voltei a ter um blog. E na verdade nem foi só um blog. Mas vamos explicar o que aconteceu.

Bem, como eu disse, estava desmotivado para escrever e profundamente dividido em termos de questões criativas ou, sendo mais claro, de que raios eu ia querer escrever quando voltasse a ter motivação. A motivação voltou, ainda que tímida, com um sorriso amarelo e dizendo que passou os últimos meses na casa de um moleque muito parecido comigo, que ela tinha certeza que era eu, mas ela não quer falar no que eles andaram fazendo.

Qualquer pessoa normal, nessa situação, iria esperar até uma definição mais clara do que sente vontade de escrever, da atual situação criativa, ou até mesmo de um diagnóstico médico sobre o caso. Mas eu, claro, não faço assim. Afinal, quando uma banda de rock tem, entre seus membros, divergências sobre que tipo de música eles devem fazer, algo mais progressivo ou um punk de apenas duas notas cheio de palavrões, eles sentam e discutem a situação até chegar a uma definição criativa clara? Óbvio que não! Eles brigam, se agridem, saem na porrada, aí o vocalista expulsa o baixista e o baterista e os dois montam outra banda, que em toda entrevista vai falar mal da primeira. E como eu estou tentando colocar mais rock’n roll na minha vida, foi basicamente isso que eu fiz.

Ou seja, de agora em diante a coisa funciona assim:

Ninguém espera a Inquisição Espanhola: Esse é meu blog A. Uma versão aditivada do Lacunas em que eu vou conseguir manter a mesma fonte de um post para outro (espero) e as fotos não vão mudar de tamanho assim que eu olhar pro lado (torço). O mesmo tipo de coisa que passamos anos fazendo no Lacunas, só que com um nome mais legal. Porque ninguém espera a Inquisição Espanhola! (Caaara, eu adoro dizer isso!)

Wrapped Up in Books: Meu blog B, que foi expulso da banda e agora vai tocar covers em botecos. É pra lá que meu lado mais “sério” vai. Basicamente vamos começar com resenhas de livros, CDs e quadrinhos, além de material mais depressivo e aqueles artigos longos e chatos que eu gosto de fazer sobre comunicação comparada. Afinal, o título saiu de uma música do Belle e Sebastian, então um blog sobre micaretas é que não ia ser...Também vou usar pra servir como campo de testes para meus projetos de literatura séria. Por favor, não riam.

E então é isso. Claro, esse tipo de decisão não ajuda em nada o tratamento do meu distúrbio de dupla personalidade, mas nós...digo...eu, não estou nem aí. Mas pelo menos por enquanto vai ser assim, um blog para os dias bons e outros para os dias ruins. Claro, em duas semanas eu vou ter misturado tudo e vai ter virado uma zona, mas quem liga?

Este retorno não teria sido possível sem:

-As palavras de incentivo do Thiago e sua música do Frank Sinatra

-As palavras sinceras de preocupação da Angélica, que, desconfio, achou que eu ia me matar

-As palavras de estímulo do Sujeito Oculto, que, desconfio, achou que eu ia montar uma banda emo. O que, desconfio, seria um pouco mais drástico do que me matar.

-O link de estímulo do Mateus. Que me deixou deprimido. Mas acho que não era essa a intenção.

-O retorno do blog da Elisa, que me fez a chocante revelação de que ela sou eu (ou eu sou ela) e depois sumiu do MSN, me deixando com graves dúvidas existenciais e pensando em pintar o cabelo.

- A Wanda e Cosmo, os padrinhos mágicos (“tô sabendo!”).

- A Yuri, por sua onipresente ausência e seu estímulo ao não me estimular. Cara, ainda tenho pesadelos com aquele filme “Traídos pelo desejo”...Maldito seja Neil Jordan!

6.6.08

It´s the end of the blog as we know it (and I feel fine)


2008 tem sido um ano complicado e estranho. Caótico. Atípico. Como diriam meus primos cariocas “sinissstro”. Perdi meu avô paterno, vi o final do meu primeiro namoro de verdade, que eu, ainda que nunca admitisse, achava que seria pra sempre. É, o homem planeja e Deus ri, como dizem. Me vi arrumando um emprego em que não me pagavam e pulando para um outro que eu desconfio que seria capaz de pagar para não ter. Lá pelo final de março eu não tinha motivação pra nada e decidi fazer a única coisa que um homem pode fazer numa hora dessas: dormir até a motivação voltar.

Agora chega junho e eu noto que parei de escrever, parei de jogar futebol, parei de atualizar o blog, quase não assisto filmes, estou estacionado na segunda temporada de Lost e na primeira de Heroes, tenho preguiça de sair de casa e minha grande motivação para existir se chama “mini-quibe do Habibs”. Minhas atividades diárias se resumem a trabalhar, dormir e, no intervalo entre essas atividades, reclamar que odeio meu emprego e não faço nada além de dormir.

Mas o que o blog tem a ver com isso? Bem, o Lacunas (tanto a versão clássica quanto essa aqui) são resultado de uma época da minha vida que, pelo que eu estou vendo, passou. Não que eu duvide que vá voltar a escrever e me sentir animado pra atualizar o blog, porque eu sei que isso vai acontecer e talvez nem demore muito. Mas eu sinceramente não sou mais o mesmo cara que eu era há uns 5 anos, quando criei o blog. Estou mais velho, mais barbudo, mais ranzinza, mais preocupado. Claro, ainda durmo na mesma beliche, mas não quero falar disso.

Então eu decidi encerrar aqui as atividades do Lacunas. Provável que em poucos meses (semanas? dias?) eu crie outro blog e ele tenha exatamente o mesmo conteúdo que esse, com as mesmas coisas e piadinhas. Mas possível também que seja diferente, ainda que não muito. Seja como for, vocês vão ficar sabendo. Eu posso ter mudado, mas ainda sou chato e não ia deixar de avisar vocês.

Finalizando, obrigado aos que deram apoio, suporte, base, muletas e todas essas outras coisas que impedem que algo caia, ao Lacunas nesse tempo de duração dele. Sem vocês isso não teria sido possível. Mas fiquem tranqüilos, se houver um julgamento eu vou assumir toda a culpa.

See ya.

João Jr.

P.S: Mas antes disso, uma última, pra não dizerem que eu fiquei melancólico. Sabe por que a lésbica necrófila não gosta de presunto? Porque ela prefere a morta dela. "Mortadela", sacou? Boa essa.

12.5.08

Funk Zappa Goes to Bollywood



Uma noite chuvosa em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em uma mesa, três jovens discutem os rumos da música contemporânea, enquanto tomam cerveja e comem biscoito passatempo. Ainda que com gostos e opiniões musicais diferentes, decidem se reunir para criar um projeto que traga de volta a magia das músicas que eles cresceram ouvindo e aprenderam a amar. Mas rapidamente percebem que isso ia dar um trabalho do caramba e resolvem fazer alguma coisa que dê dinheiro, afinal, nenhum deles vai ser sustentado pelos pais pra sempre. Quer dizer, talvez um vá, mas isso não vem ao caso.

Assim nasceu “The Funk Zappa Project”, o primeiro grupo de folk-pop-funk eletrônico do Brasil, focado para o mercado estrangeiro (principalmente Londres), onde as pessoas não entendem nada do que a gente fala e tem dinheiro para gastar com essas porcarias. Com uma proposta totalmente voltada para as pistas de dança e o público universitário, o grupo reúne influências que vão desde Frank Zappa, Ozzy Osbourne, Black Label Society e Weezer para fazer um som que mistura Bonde do Rolê com Comunidade Nin-Jitsu, só que sem aquele sotaque irritante do sul e com fortes influências do cool acid jazz. Se isso existir.

Um breve perfil dos integrantes:


Yuri Izola

Instrumento: Vocais e Sintetizador

Influências: Black Label Society, Carlos Gardel, Metallica

É cool porque: parece um caminhoneiro violento, mas tem a sensibilidade de um bárbaro visigodo.


Caio

Instrumentos: Guitarra, vocais, violão, cuíca solo

Influências: Ozzy Osbourne. Ele diz que não precisa de mais nada.

É cool porque: cria 200 gatos em casa e não morreu de alergia. Ainda.



João Junior

Instrumento: Vocais, gaitinha e Fruit Loops

Influências: Weezer, Adam Sandler, Wilco

É cool porque: a mãe dele pediu pra todo mundo fingir que ele é.



Dentre essas faixas a primeira música de trabalho seria “Quero te fazer uma canção”, que já está disponível no My Space da banda e em breve terá seu clipe engraçadinho lançado no Youtube (afinal, todo mundo sabe que o que garante sucesso hoje em dia não é a música e sim o clipe engraçadinho), feito todo em animação very-pretty-fucking-stop motion.

O segundo single seria “Me deixa ser seu coyote”, e logo depois se seguiria o lançamento do CD “Funk Zappa Goes to Bollywood”, com 10 faixas(incluindo uma emocionada cover de “Você abusou”, de Antônio Carlos e Jocafi), que seria seguido pela separação da banda, já que Yuri e João iriam brigar por questões ideológicas, com o primeiro montando uma banda de death metal e o segundo um grupo de rock indie para tocar covers do Elymar Santos, enquanto Caio abandonará a banda para se dedicar aos seus gatos. Por mais gay que isso possa parecer.

Portanto mantenham-se atentos ao Lacunas e ao MySpace do FZP para mais novidades sobre essa banda que, com certeza, mudará a música mundial. E não dará o endereço dela pra ninguém, só de birra.


Galeria de pôsteres aqui.


7.5.08

Guia Prático para Diferenciar Mulheres de Travestis


Como ficou claro nos últimos tempos, cada vez mais homens (principalmente famosos) têm tido várias dificuldades para diferenciar mulheres (cromossomos XX) de travestis (cromossomos XY, maquiagem pesada, enchimento de soutien). Para ajudar nessa tarefa o Lacunas lança um guia básico para você, celebridade alcoolizada/dopada/alucinada/hipermetrope, conseguir notar o quanto antes que aquela garota de voz meio grossa, pernas peludas e que diz ter sido nadadora não é exatamente aquilo que você tá pensando.


1 – “Uma mulher é uma mulher. Um travesti é um travesti. Logo, um travesti não é uma mulher”

Bem, essa parte é basicamente a mais fácil: uma mulher é uma mulher. Um travesti é um homem vestido de mulher. Então, peço que essa parte fique clara, isso não o torna uma mulher. Afinal, um home vestido de coelho não se torna um coelho, nem mesmo na páscoa, nem mesmo que você queira muito acreditar nisso. E você não tentaria ordenhar aquele seu amigo vestido de vaca no Halloween, tentaria? (Se a resposta for sim, abandone esse texto e clique aqui)



Um homem vestido de coelho. Não um coelho!


2 – “Tem coisas que só uma mulher tem. Pomo de adão não é uma dessas coisas”

Se você não for do tipo que consegue identificar uma mulher rapidamente, pode ser uma boa notar alguns caracteres secundários externos que podem ser claramente notados. Por exemplo, hoje em dia seio é algo que todo mundo pode ter e você não pode pedir pra ver os órgãos genitais de uma pessoa (pelo menos não em público, pelo menos não no primeiro encontro, pelo menos não na frente dos pais dela). Então uma boa referência é o pomo de adão, essa pequena partezinha localizada no pescoço e que apenas pessoas de cromossos XY possuem, como uma espécie de alerta biológico em relação a...a esse tipo de situação. Ou, nas palavras de um sábio poeta sergipano “se tem gogó, cuidado com o fiofó”. Ah, o lirismo...



Adão e seu pomo

3 – “Isso é um tubo de creme para pele no seu bolso ou você está feliz em me ver?”

Se tudo falhar, você não notar as diferenças básicas, secundárias, terciárias ou quaternárias, ainda vai existir um recurso que pode ser usado na última hora, a dica final para aqueles cuja percepção é tão limitada que Francisco corre o risco de ser lido como Chiquinha. Mulheres, meu caro, não tem pênis. Eu sei, é uma revelação chocante para alguns (“meu deus, então ela não era mulher? Por isso que doía...Mas o que eu digo pros meus pais agora?!”), mas é a verdade.





Lacunas: tudo pelo social. (Ainda que a gente prefira o de serviço, porque não tem câmera e a gente aperta todos os botões antes de sair)

1.5.08

Obsceno


Como eu digo á cada 30 segundos, vivemos em tempos bizarros. Um dos fatos que comprovam isso é que, devido ao grau vigente de grosseria e falta de noção da humanidade (“ei, vamos dar rasteira nesse saci?”, “o que acontece se a gente arrancar os freios dessa cadeira de rodas?”), grande parte das mulheres se tornou profundamente paranóica em relação ao convívio social com homens. Não sei se é um processo que mistura auto-afirmação (“eu sou gostosa!”) com um justificável receio de grande parte dos homens (“ele é tarado! E eu sou gostosa!”), mas algumas mulheres criaram um conceito muito interessante: “se está me tratando bem é porque tem segundas intenções.E porque eu sou gostosa!”.

E eu, como cara cujo potencial para segundas intenções está ali entre o de uma torradeira (desligada) e um daqueles galinhos que mostram a qualidade do ar, mas sou um tanto quanto excessivamente educado, acabo passando por situações bizarras em que, mal interpretado, sou tratado como se eu fosse o Wando, com calcinha na cabeça e tudo.

Exemplo básico, acontecido num final de semana em que eu numa festa, cometi o erro de, tendo pedido uma cerveja ao mesmo tempo que uma garota, deixar que a primeira cerveja entregue pela garçonete ficasse com ela:

“Aqui, pode ficar com a cerveja, na boa.”

“Ah, valeu...Mas não vai rolar, tá?”

“Como?”

“Não, só estou avisando, não vai rolar.”

“Ahhhnnnnnn...”

“Mas assim, legal o que você fez, mas nem adianta...”

“Tudo bem.”

“Sério, eu não vou ficar contigo.”

“Tá legal, sério. “

“E não adianta ficar fingindo.”

“Olha...Ahhhn...A cerveja tá esquentando, até mais, tá?”

“Sem até mais...Não vai rolar...”

E fica a questão...Isso acontece com todo mundo ou eu é que tenho cara de tarado? Devo passar a usar camisas de seda abertas até o peito e cantar “Fogo e Paixão?” Ou nisso da camisa de seda aberta eu confundi o Wando com o Reginaldo Rossi? Isso tudo é obsceno demais pra mim, na boa...

28.4.08

Ou fui só eu que percebi isso?



Hummm...Pensem comigo, um cara que quebra os dois joelhos, fica em recuperação por meses, mas sempre tem certeza que vai voltar, independente do quão grave seja a lesão. Um exemplo de raça, fibra, superação, um cara que, assim como Romário, não sabe a hora de parar. Mas que depois de uma noite com travestis, fica com medo de não voltar a jogar...A pergunta que não quer calar: o que será que esses travestis fizeram com o Fenômeno?

P.S: Cacete, o Maluf ainda é deputado?
P.S: 2: Cacete, Hannah Montana vai ser a Cinderella, vocês viram? E agora, só pra constar...quem diabos é Hannah Montana?
P.S.3: Viram como eu me tornei uma pessoa mais madura e séria? Fiz uma piada sobre Ronaldo e travestis sem, em nenhum momento, usar a expressão "entrada dura por trás".
P.S: 4: Mas o Globo.com não resistiu, afinal, dizer que o jogador teme o fim da carreira quando os travestis afirmaram na delegacia que ele subiu o morro para comprar cocaína é o cúmulo da piada fácil...

24.4.08

Johnny and the nightmare about Justins



Eu ultimamente tenho assistido muita MTV. Bem, para uma compreensão mais clara, coloque “ultimamente” como os últimos 2 anos e “assistindo” no sentido de deixar a TV ligada enquanto eu faço outras coisas. E uma coisa que tem me atormentado é a quantidade de vezes em que Justin Timberlake aparece. Sempre que eu, momentaneamente, viro o rosto para a tela, lá está o cara. No clipe da Madonna, no clipe do Gnars Barkley, no clipe de todos esses rappers negros um tanto quanto obesos, no clipe de todos os rappers brancos magrelos (e todas as combinações entre tipos físicos e cores de rappers) e até nos clipes do próprio Justin. Putz, até em clipe de banda emo ou do Chiclete com Banana o Justin aparece. E isso, somado à minha mente fértil e paranóica, criou em mim a impressão de que o JT está em todos os lugares. E o pior, ele está. E essa semana eu tive quatro pesadelos sinistros em relação a isso, que gostaria de compartilhar com vocês, como forma de terapia.

Pesadelo 1: Estou numa festa, chegando numa garota. Do nada surge Justin e começa a dançar em cima da mesa. A garota sai correndo. Justin pisca e canta o refrão de “Where´s the Love”, do Black Eyed Peas.

Pesadelo 2: Eu estou no banheiro da empresa, usando o mictório. Olho para o lado e Justin está no outro mictório. Ele olha para mim, pisca e começa a cantar o refrão de “Where´s the Love”, do Black Eyed Peas.

Pesadelo 3: Estou chegando em casa e minha mãe me conta que se casou com Justin. Ele coloca a mão no meu ombro e diz que vai me ensinar a ser um homem de verdade. Então ele chama aquele outro cara do Nsync que era gay e os dois sorriem e piscam enquanto cantam o refrão de “Where´s the Love”, do Black Eyed Peas.

Pesadelo 4: Eu chego na casa do meu amigo Yuri e ele ainda está dormindo. A mãe dele diz que eu posso entrar. Quando ela abre a porta do quarto, o Justin está deitado na cama com o Yuri. Os dois acordam, piscam e começam a cantar o refrão de “Where´s the Love”, do Black Eyed Peas.

Tenho medo de dormir. Sério.

 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Add to Technorati Favorites